domingo, 17 de maio de 2015

5 anos

Cinco anos. Cinco anos é muito tempo. Pelo menos para mim é uma eternidade. Cinco anos é muito tempo para sentir saudades de alguém, é demasiado tempo para sentir este vazio, esta falta de plenitude.
Cinco anos é um acumular de mudanças, ganham-se e perdem-se vícios. Vícios e pessoas. Cinco anos é pouco mais de um terço da minha vida. Um terço da minha vida sem ti. Cinco anos de desgaste, de cansaço, de falta, de carência.
É como viver na prisão e ir riscando na parede os dias que passam, à espera de liberdade. Mas para isto não há liberdade. Não há liberdade para a saudade, não há desfecho na morte.
Dizem que com o tempo fica mais fácil, ou talvez seja nisso que nós, humanos ingénuos, queremos acreditar. O tempo não cura tudo, pelo simples facto de não curar a morte. Merecias mais. O tempo não cura, apenas te põe anestesiado.
Lutaste, eu sei que lutaste. E jamais te poderia pedir para lutares mais. A vida é que devia ter lutado por ti, devia ter visto o imenso valor que tu tens.

"Quando vais a um jardim que flores colhes primeiro?
As mais bonitas!"

A minha alma está como este texto, desconsertada. Tenho saudades tuas. Tenho sempre saudades tuas. És o texto que eu nunca vou puder terminar. 
Amo-te, avô.

mj


sexta-feira, 24 de abril de 2015

Parabéns, avô.

Parabéns. Desculpa estas palavras virem tão tarde. Mas antes tarde que nunca. Gostava de te poder explicar. Há tanta coisa que ficou por explicar e por dizer. Sempre que me lembro de ti, e garanto-te que isso acontece todos os dias, fico sem palavras, coisa que não é muito usual.
Tenho saudades tuas, pronto, já disse. Sinto a tua falta todos os dias, mas ao mesmo tempo sinto-te sempre comigo, como se me estivesses a proteger. E isso dá-me força e esperança para continuar.
Isto não é fácil para mim. A morte é complicada e eu não estava pronta para lidar com isso, ainda não estou. Será que há mais alguma coisa depois? Espero que sim, espero que estejas em paz. Espero que tenhas encontrado por fim sossego porque se há alguém que merece és tu. Não sei falar de ti no pretérito porque continuas muito presente em mim.
O passar do tempo não leva a saudade, só a aumenta. Mas leva as memórias. A memória do teu aspeto, a memória do teu jeito e a memória da tua voz. 
Se de facto existe algo depois, gostava de saber se me tens observado. Gostava de saber o que pensas de mim, do ser em que me tornei e que aos poucos vou tentando construir e aperfeiçoar. Espero que tenhas orgulho em mim. Porque eu tive tenho muito em ti.
Se há algo que me deixa feliz é saber que tenho um pouco de ti em mim. Que parte do teu DNA, seja em que quantidade for, está no meu, a correr nas minhas veias. Obrigada por teres sido quem foste em vida. Obrigada por seres um exemplo a seguir.
Só damos valor quando perdemos. Gostava que as coisas tivessem sido diferentes. Quem me dera não te ter perdido.
Há tanta coisa que gostava que soubesses. Tanta gente que gostava de te apresentar. A minha felicidade deixou de ser completa sem ti, não é passível de ser completa. Há um espaço em mim que é impossível ser preenchido, seja por quem for, porque é o teu lugar. Só teu.
Gostava que soubesses que tenho sempre saudades tuas. E que me lembro sempre de ti. Fazes-me falta todos os Natais, todos os aniversários e 24horas por dia, 365 vezes ao ano.
Desculpa a demora. Desculpa tudo o que ficou por dizer e fazer.
Amo-te. E amarei sempre. E serás sempre lembrado enquanto eu respirar e levar-te-ei comigo para o resto da minha vida. És dos homens mais importantes da minha vida.
Parabéns. O dia 25 de abril não é (só) dia da liberdade, é o teu dia.
Amo-te, avô.
Da tua neta,
Maria João.

fonte: weheartit 



quarta-feira, 1 de abril de 2015

Perda e mudança.

Hoje olho para trás e chego à conclusão que de facto perdi muita coisa. Muita coisa, muita gente ficou para trás. Pessoas com as quais nunca me imaginei sem, hoje passam por mim como se fosse uma estranha.
A vida é algo estranho não é? Dá tantas voltas. Talvez nunca me tivesse imaginado no lugar em que estou agora.
A verdade é que perdi muito, mas nem tudo foram perdas. Também ganhei, talvez não na mesma proporção, mas aquilo que ganhei valeu a pena o esforço. Encontrei pessoas maravilhosas e redescobri outras.
A vida é algo complexo, vá-se lá entender. Muita coisa mudou e talvez a Maria de há 2 anos não conhecesse a Maria atual. Dizem que nunca nos é dado algo que não consigamos aguentar, e é verdade.Sempre fui muito dependente dos outros e se me dissessem que a pessoa X ou a pessoa Y atualmente não iria estar comigo, talvez eu perdesse a esperança ou talvez não acreditasse. As palavras leva-as o vento e eu descobri que as palavras não servem de critério para saber se uma pessoa é confiável mas sim as ações. Ao final do dia tudo se resume a isso, a ações, a pequenos gestos que mudam e vão moldando a nossa vida. As palavras facilmente são esquecidas, mas há ações que marcam.
Perder, seja o que for, nunca é fácil. Mas a perda fortalece-nos. O que não nos mata torna-nos mais fortes. E aqui estou eu, como nunca me imaginei, com quem nunca me imaginei, sem aqueles a quem tanto me dediquei, mas feliz. Orgulhosa até. A vida vai nos por muitas pedras no caminho e nós temos de as ultrapassar. Nenhuma pedra será maior que tu, e se for é porque tu conseguirás fortalecer-te, crescer até ao ponto em que a derrubarás e não passará então de uma areia no sapato.
Descobri coisas em mim que até então não sabia que estavam cá. As pessoas não são tão frágeis como aparentam ou como se julgam.
Ainda há muito caminho a percorrer, muitos obstáculos a ultrapassar.
Há todo um mundo lá fora e não podemos desistir de nós. Muita gente vai passar na nossa vida, umas vão ficar, outras vão desistir e outras vão entrar na tua vida e mudá-la completamente.
É como em tudo, há quem valha a pena e há quem não mereça nada. Cabe-nos a nós descobrir isso.
O importante é nunca perder a esperança. E não te esqueças de que nunca estarás sozinho! É normal sentires-te perdido, infeliz e chateado; é normal teres alturas em que só queres estar sozinho, mas tudo passa. Nada é definitivo na vida. Vais ficar bem!

mj


fonte: weheartit

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Metamorfose inversa


fonte: weheartit.com
Gostava de voltar a ser criança, de voltar a ser pequena. Gostava de recuperar aquela inocência, aquela tão bonita ingenuidade, aquela capacidade de ver o bom em toda a gente, apesar de ter a noção de que tal característica ainda não se foi completamente.
Pode até parecer um bocado disparatado este meu desejo, porque tudo aquilo que eu queria ser quando tinha 7 ou 8 anos era ser grande, queria ser mais velha. Sempre me achei demasiado “adulta” para a minha idade, demasiado madura. Mas hoje, tendo em conta tudo o que sei e aquilo por que já passei nestes meus singelos 16 anos de vida, não me importaria de voltar àquele tempo onde as preocupações eram poucas ou insignificantes, onde o meu céu não possuía as 3 estrelas que hoje lá brilham, onde os fantasmas que todos os dias deambulam perto de mim não existiam, onde eu não tinha noção do quão cruel o homem é, do quão frio é, onde eu ainda me senti integrada, onde não era assim tão difícil fazer parte de algo, onde as diferenças que hoje são tão notórias não eram tão visíveis.
Naquela altura gostava tanto da escola, tinha tudo planeado, iria provavelmente ser uma professora bem-sucedida ou talvez uma destemida veterinária, adorava aprender, adora ensinar o que sabia; mas há algo muito evidente que permanece comigo desde sempre: o perfeccionismo. Mesmo na escola primária estava presente a Maria João perfeccionista, que tinha a letra bonita, nada falhava ali, e se falhasse seria provavelmente o fim do mundo. Quem corre por gosto não cansa, e eu corria, corria, e nunca me cansava.
Hoje não é assim, hoje ando um bocado perdida, não sei qual é a minha vocação. E agora, deparo-me todos os dias com decisões que irão provavelmente influenciar toda a minha vida profissional. Quando somos crianças somos tão mais determinados, tão mais destemidos; talvez até um pouco temerosos. E talvez o sejamos porque não conhecemos todos os “senão” ou os “se”, implícitos em todas as decisões, mesmo as mais insignificantes. Talvez seja isso que nos falta hoje, aquilo que me falta a mim todos os dias: coragem. Quando somos pequenos somos espontâneos, não temos medo, e mesmo que tenhamos vamos em frente; quando crescemos não somos assim, somos demasiado cobardes, somos envergonhados, somos medrosos. A vida faz-nos assim, porquê?
Quando somos pequenos temos tanto pela frente, tanto que por vezes somos demasiado pequenos para o vermos; porém tudo nos parece tão duradouro, tão eterno, tão verdadeiro. E porquê? Talvez por não termos o coração e a alma corrompidos por coisas más, por mentiras, por desilusões, por um mundo de seres frios.
Gostava de voltar para lá, nem que fosse por pouco tempo. As crianças são o melhor do mundo, e também o melhor de nós. São o nosso estado mais puro. Nós humanos somos o inverso da borboleta. Em criança somos a linda e livre borboleta; e depois ocorre uma espécie de metamorfose inversa e transformamo-nos numa pequena e frágil lagartinha cheia de incertezas.
Mas a vida nunca nos dá mais do que nós podemos suportar. 

 mj
fonte: weheartit.com













 

sábado, 3 de janeiro de 2015

Resoluções para o novo dia.



fonte: weheartit.com

Não vou tentar justificar as minhas perguntas com a minha idade porque do meu ponto de vista todas as idades são idades de “porquês”. Duvido que exista alguém neste mundo que não tenha perguntas sem resposta, questões que têm demasiado medo de perguntar ou interrogações que ainda não foram feitas a pessoas que se interessassem. Sou apenas mais um ser com questões, com confusões e curiosidades. Afinal é a curiosidade e a ambição de querer saber mais que nos leva para a frente, que nos trouxe até hoje.
Agora que toda esta época de festas já passou, é suposto fazermos o quê? Voltarmos para os nossos respectivos mundos, para as nossas pequenas hipocrisias e para os nossos problemas? Porque não podemos estar sempre em festa? Ou só nestas alturas é que se justifica estar em família e colocar os problemas de lado? Todos os dias são dias novos, são novas razões para fazermos planos. Ou só na mudança de ano, é que nós podemos fazer planos, compromissos e ter a intenção de mudar? Devemos ter sempre vontade de mudar, de sermos mais altruístas, solidários, verdadeiros e não só entre o dia 31 de Dezembro e no dia 1 de Janeiro. A mudança, a vontade de autosuperação deve estar sempre presente. Devíamos passar a celebrar sempre que é meia-noite, todos os dias. Ter todos os dias novas resoluções, não para o novo ano mas para o novo dia, porque temos todos os anos 365 (ou 366) oportunidades de sermos melhores, porque não aproveitar?

mj


domingo, 28 de dezembro de 2014

Feliz Ano Novo 2015

Agora que estamos perto da chegada do novo ano lê-se muitas vezes por aí "Neste Novo Ano vou deixar muita coisa para trás", esta simples afirmação tem me feito pensar. E porquê? Porque eu não sei se quero deixar o que quer que seja para trás, quero levar todos os risos, todos os bons momentos, mas também todas as quedas, todos os corações partidos, todos os medos, todas as derrotas, porque também foram estes factores que me fizeram chegar até aqui, que me fizeram aprender a não confiar em quem não devo, que me mostraram que não tem mal errar pois há sempre uma lição no final, que não importa quantos dias maus existam na tua vida haverão sempre dias bons. Fico indecisa quando me pergunto se levaria as mágoas que este ano de 2014 me trouxe, e ainda não sei muito bem que resposta darei a tal pergunta; por um lado é muito tentador deixar todos estes problemas, estas mágoas que por vezes me roubam o sorriso e o sono, mas não serão também estas mágoas importantes? Estas feridas abertas não serão também úteis para o meu novo ano e para o resto da minha vida como tantas outras? Provavelmente sim, fazem parte da aprendizagem. As feridas doiem, as cicatrizes não. As cicatrizes são como fósseis dos nossos erros, algo que nos parece muito distante; as feridas abertas são os erros enquanto são recentes, mas estas um dia serão também cicatrizes.
Face às cicatrizes as feridas têm uma vantagem, doiem diariamente, não é necessário pensarmos nisto ou ouvirmos esta música antiga para nos lembrarmos deste ou daquele erro, somos constantemente alertados para o que aconteceu e deste modo, estamos mais atentos ao que nos rodeia. As cicatrizes podem passar despercebidas, mas as feridas abertas não. Então penso que as levarei comigo também para 2015, para poder aprender a lidar com elas, para continuar atenta, para que para o ano seja mais sábia.
A única coisa de que tenho a certeza que deixarei ficar em 2014 são algumas pessoas. Durante muito tempo acreditei, tal como tantas outras pessoas, que aquilo que é nosso volta sempre, mas desde há algum tempo que eu percebi que isso não é verdade. Aquilo que realmente é nosso, nunca se vai, está livre, mas não vai. Isso foi uma das lições mais importantes que aprendi até hoje. Por isso muita gente vai ficar em 2014, porque quem vai embora já não volta e em 2015 só preciso de pessoas certas, com quem eu sei que posso contar.

Queridos leitores, espero que tenham um próspero ano novo e que todos os vossos sonhos sejam concretizados e todos os objetivos alcançados, lembrem-se de sorriso e de que há sempre esperança por dias melhores! Não deixem de acreditar nas vossas capacidades. Não desistam, pois desistir é morrer e façam-me um favor: sejam sempre muito felizes!
P.S. Já estou bem atrasada mas, antes tarde que nunca, espero que tenham tido um feliz Natal junto de quem amam e com muita alegria!

mj

sábado, 20 de dezembro de 2014

Amiga de longa data

Este texto é para uma grande amiga minha, uma amiga de longa data.
Obrigada por tudo, música. Sim, obrigada a ti música por me acompanhares há tanto tempo. Por vezes, nós só precisamos de alguém que nos compreenda, que nos leve para outros lugares, que nos permita sonhar mesmo que seja apenas por meros minutos, que não nos obrigue a falar sobre o que se passa mas que nos cure as feridas. Por isso, obrigada a ti, música, por seres esse "alguém" quando mais ninguém consegue aquecer o meu coração ou preencher aquelas lacunas, obrigada por teres sempre uma palavra, ou várias, de consolo que me fazem sentir acompanhada ou que me fazem ver que os meus problemas não são assim tão estapafúrdios ou injustificados pois já alguém se sentiu assim. Obrigada pelas tuas melodias, que me embalam durante a noite quando a insónia me tenta manter acordada, obrigada por expulsares alguns dos meus fantasmas e me conseguires esvaziar a cabeça, por me arrancares todos os pensamentos permitindo ao meu coração algum descanso e paz.
Às vezes o que o nosso coração precisa é de uma pausa, é de nos desligarmos do mundo, de pararmos por uns momentos, de sermos teletransportados para outro lugar. A música faz isso. E a música não precisa de traduções, não precisa de muitas palavras, a música são sentimentos em forma de sons, são medicamentos administrados pelos nossos ouvidos. A música tem a capacidade de curar.
Obrigada por seres a minha companheira de viagens, a minha companheira em todas as manhãs quando preciso de acordar, ou quando preciso de um calmante, ou quando preciso de estar sozinha. Obrigada por te saberes exprimir melhor que eu e por me marcares tanto. Por me ajudares a lembrar determinados momentos, por me ajudares a lidar com as situações mais difíceis. Obrigada por, ao contrário de tanta gente, estares sempre aqui. OBRIGADA.
A música é sem dúvida a minha terapia! Um mundo sem música não valeria a pena.

mj.

fonte: weheartit.com