segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Memória

Já não me lembro de ser sem ti, mas também sou muito esquecida. Não consigo lembrar-me de como era sem ti. Sem a tua presença, o teu cheiro, o teu abraço.
Não me recordo de como é ser sem sentir a tua presença, sem sentir que estás ali, mesmo que estejas longe.
Tu ocupas uma parte significante em mim. Cresci ao teu lado, mudei ao teu lado, sou melhor ao teu lado.
Não sei como seria ser sem ti. Sinto-te comigo, e que alívio que isso é, que reconforto, que sensação de "lar doce lar". Tu és a minha casa, o meu lugar seguro, o meu protetor.
Há muita coisa que gostaria de me lembrar, mas lembrar-me de como eu era sem ti não faz parte da lista porque não me lembro, talvez porque nunca tenha acontecido ou porque sou muito esquecida, de sorrir como sorrio desde que te conheço, ou de me sentir tão completa ou a salvo.
Não te quero perder. Não me quero lembrar.
Não quero ser sem ti.

Maria João.

(fonte: weheartit)

sábado, 6 de setembro de 2014

Nós, humanos imperfeitos.

Nada é fácil. Pelo menos não para nós. Para nós nada é fácil. Muito menos simples. Ainda menos, rápido. As coisas vêm até nós só depois do suor, do sofrimento, de noites sem dormir. As coisas chegam depois de aparecerem as nossas olheiras ou as nossas dores de cabeça, quando já por cá habita o desespero.
Aquilo que queremos, que eu e tu queremos vem depois de trabalho, vem com esforço. Nunca vem só porque sim ou porque não. Vem porque trabalhamos naquilo que queremos. E um dia, chega. Talvez tarde demais, talvez sim, talvez não. Depois do desespero, depois do cansaço. Depois daquela pontinha de inveja daqueles que tudo têm sem nada fazer, enquanto nós aqui esperamos e lutamos, queremos.
E que remédio temos nós, para além de esperarmos? A sorte não bate à porta de toda a gente. Se calhar esqueceram-se de deixar um pouco dela à nossa porta, ou se calhar nós é que não a sabemos fazer.
Esperamos. E continuamos a esperar. E com a espera talvez venha a recompensa. Com recompensa vem sempre algo mais. Como um irónico vale de desconto. Como que em gesto de desculpar a demora, ou a dificuldade. Vem paciência, provavelmente para a próxima “encomenda”.
O nosso caminho está cheio de obstáculos e isso é algo que não podemos alterar. Eles não desaparecem por estarmos cansados, ou fartos. Eles permanecem, e tal como nós, esperam. Esperam que alguém os escale, que alguém os ultrapasse, ou que alguém sucumba ao cansaço, à preguiça ou aos dias que já são demasiado pesados.
Somos todos humanos, todos imperfeitos. E tudo está em constante mudança. 

(fonte: weheartit.com)